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Toda
vez que chega a noite digo à mim mesma:
Esse é o meu mundo!
Os mesmos rostos, a mesma boca, o mesmo
beijo, os mesmos desejos, o quarto de sempre,
cheio de tudo e ao mesmo tempo vazio, e com
o seu piso gelado.
A mesma cama, cheia de espaço, cada vez
que me encolho com essa dor da saudade que me
toma, neste meu mundo triste.
E com a escuridão da noite, no vazio
do quarto, com esse espaço na cama, mesmo
estando encolhida e com essa dor que me tomou,
ainda sou capaz de desejar aquela companhia
insubstituível, a mesma presença
até quando longe dos meus olhos, e então
meu corpo se arrepia, sou tomada por um frio
de desejo e ouço a voz que clama seu
nome, enquanto a mesma esta respondendo , que
só resta a saudade a me acompanhar.
E nessa teimosia e conflitos de pensamentos
e vozes, eis que o seu cheiro invade o quarto
vazio, toma conta de meu mundo triste, e a cama
cheia de espaço, se torna pequena pela
ânsia de meus braços que em vão
buscam teus abraços, sua boca, seu gosto,
seu corpo; E nessa busca frenética sinto
suas mãos a me acariciar, seus beijos,
seu grande cabelo solto, que roça em
meu seio e me faz delirar, e me entregar, mesmo
com o quarto vazio.
E quando no meio da noite, enfim a luz acendo
e sinto o piso gelado, a cama desarrumada e
espaçosa, novamente me encontro com essa
dor que me tomou por inteira; Triste permaneço,
tendo a solidão por companhia, e então
suplico para a claridade do dia, abrir espaço
na solidão desta noite e no vazio de
minha alma sofrida, e tudo sempre se repete.
No mesmo quarto de sempre, com o mesmo corpo
carente,
na mesma cama vazia.
E assim vivo...
Em meu mundo triste!
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